sábado, 25 de novembro de 2017

AS NOVAS TECNOLOGIAS DIGITAIS


OS PROFESSORES / AS TECNOLOGIAS DIGITAIS

Nesta Unidade curricular, os participantes tiveram a oportunidade de refletir sobre o impacto das novas tecnologias no mundo da Educação. Foi um debate pertinente e enriquecedor que levantou uma série de questões, ligadas ao uso das tecnologias digitais e que, provavelmente, os docentes não teriam a ocasião de as abordar, envolvidos que estão nas suas tarefas “rotineiras” e conscientes da qualidade, indiscutível e intemporal, das suas práticas pedagógicas.
Engano seu! A mudança paradigmática do século XXI exige uma mudança das práticas educativas e de mentalidades, o que obriga a repensar os papéis do professor e do aluno, conduzindo a implicações a nível das planificações e dos sistemas de avaliação. A inovação nas práticas escolares implica a reorganização dos currículos, a reformulação dos contextos de aprendizagem e a avaliação das competências dos aprendizes.
Todavia, muitos dos professores ainda não ousaram sair do seu isolamento porque, por vezes, sentem uma certa incompreensão por parte dos colegas, preferindo desenvolver as suas tarefas, individualmente. Digamos que esta postura é a mais fácil, já que o seu trabalho nunca será questionado e muito menos lhe será exigido algo mais, pois vive o ato educativo na “sua” sala de aula com os “seus” alunos.
Além disso, surgem outras dificuldades porque este processo exige uma mudança de mentalidades e de práticas com quais os docentes ainda não estão familiarizados e muito menos habituados a partilhar os seus trabalhos. Para que os professores possam dar uma resposta adequada aos desafios na utilização destas ferramentas, necessitam de desenvolver momentos de formação, de adquirir proficiências para a sua manipulação. É, pois, necessário desencadear processos educativos de formação para melhorar a qualidade profissional dos professores, neste domínio. Destaque-se que as reais mais-valias resultam, fundamentalmente, da interação entre as pessoas e só a participação empenhada dos professores como “arquitetos dos contextos de aprendizagem” poderá maximizar os benefícios dos recursos digitais.
MAS, as “novas” sociedades do conhecimento necessitam, igualmente, de sistemas educacionais, onde as salas de aula estejam conectadas, continuamente, a redes de conhecimento e as ferramentas digitais atualizados.

O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ATUAL PARADIGMA EDUCACIONAL





O sistema educativo atual está obsoleto porque foi desenhado, concebido e estruturado para uma época diferente, numa cultura intelectual da ilustração e em circunstancias económicas da Revolução Industrial, século XIX.
Urge uma mudança de paradigma: desenvolver o pensamento divergente e a criatividade dos alunos; reconhecer que a maioria das aprendizagens se fazem em grupo e promover o trabalho colaborativo, fonte de crescimento.
Refira-se ainda um outro aspeto crucial a ter em conta nas nossas escolas: sensibilizar a comunidade para questões (inter)culturais, um modelo educativo que contemple a aprendizagem intercultural, pois constitui um processo transformativo.
Para a concretização desse objetivo, é inegável o contributo das novas tenologias da comunicação e informação, fundamentais no atual paradigma da educação, apresentando um potencial na construção coletiva do conhecimento, na reconstrução e na partilha de saberes. Para além disso, os recursos digitais cativam a atenção dos jovens e os professores reconhecem, claramente, que os sentidos operam, na sua máxima expressão, quando os alunos estão perante uma ação, quando estão entusiasmados pelo que estão vivenciando, quando se sentem, totalmente, vivos.
De facto, considera-se que o impacto das tecnologias digitais é enorme, de fácil acesso, pode ajudar a reconstruir o conhecimento, através das redes sociais.

Contudo, ao falar da importância das tecnologias com afinco, não se tenciona esvaziar o sentido da escola, ao contrário, pretendo-se reforçar a necessidade da sua expansão para redes do conhecimento que se desenvolvem em espaço virtual, pois a flexibilidade e os dispositivos móveis permitem aos atores educativos aprender de forma colaborativa, consoante os seus interesses e gerir a sua aprendizagem.
 No entanto, o simples uso das interfaces digitais não garante avanços ou inovações nas práticas educativas. É necessário promover práticas pedagógicas ativas e construtivas e desencadear processos educativos para melhorar a qualidade profissional dos professores.

No ensino, as tecnologias digitais surgem como uma espécie de “adversário” do professor e apresentam-se como um “opositor poderoso” nas novas redes do saber, transformando a lógica das estruturas organizativas do saber.