sábado, 4 de novembro de 2017

A Educação do século XXI. Que competências?


A Educação do século XXI exige, pois, ponderar aprofundar, conhecer os desafios da sociedade. Os professores e os alunos terão de desenvolver competências no âmbito das novas tecnologias para acompanhar o progresso económico e as novas exigências do século. E, nesse sentido, exige-se um novo perfil do professor e do aluno.

Falamos, constantemente, em “desenvolvimento de competências”, sem por isso, aprofundarmos o conceito de "competência". 
Proponho, então, uma breve reflexão sobre a noção de “competência”:
No século XVI, no domínio jurídico, significava “uma aptidão legal para julgar o processo”. O termo evoluiu para uma definição mais abrangente e passou a designar “um conjunto de conhecimentos teóricos ou práticos que a pessoa domina, de requisitos que preenche e são necessários para um dado fim, aptidão para fazer bem alguma coisa”.
Le Boterf : 1994 afirmou “A competência não é um estado. É um processo. Se a competência é um saber-agir, como funciona ele? O operador competente é aquele que é capaz de mobilizar. Pôr em acção de forma eficaz as diferentes funções de um sistema em que intervêm recursos tão diversos como operações de raciocínio, conhecimentos, activações de memória, avaliações, capacidades relacionais em esquemas comportamentais.”
Competências em Educação: P.  Perrenoud (2003) Porquê construir competências a partir da escola? Asa, define “competências” como “Valorizar saberes vivos, ligados a práticas sociais, que sejam ferramentas para atuar sobre um mundo não é um sonho neo-liberal. Esta ideia é o fundamento de uma escola democrática. A abordagem por competências não pretende mais do que permitir a cada um aprender a utilizar os seus saberes para actuar. Deixar a noção de competência ao mundo empresarial seria renunciar a vocação libertadora da educação escolar, e à ideia de que o saber dá poder se soubermos utilizá-lo.”
Ora, tendo em conta o referido, poderemos assegurar que os sistemas educativos se deparam com um novo e enorme  o desafio. Estarão os sistemas educativos adaptados a esta nova geração? Penso que não.

O desafio da educação é “o de tornar a diversidade num fator positivo de coesão e compreensão mútua” entre os vários agentes educativos". Esta tarefa parece-me difícil de cumprir, pela formalidade de alguns sistemas educativos e pela imposição de um modelo único que não tem em conta a diversidade individual nem o seu contexto, podendo, por isso, limitar o desenvolvimento pessoal. Em jeito de síntese, sublinha-se que, hoje, o sistema educativo está dotado ao fracasso, pois este não contempla o desenvolvimento de competências,  essenciais para o século XXI. Estes estão mais vocacionados para formar/direcionar o ensino aprendizagem para uma área específica do conhecimento. Penso que o sistema educativo terá de ser mais flexível, revelar capacidade de mudança e contemplar áreas mais abrangentes, como a da formação integral e global do aluno. A sociedade exige o desenvolvimento de habilidades, a alfabetização científica e em TIC, a literacia financeira, cultural e cívica.
Mudança impõe -se! A escola deve, por sua vez, cumprir as suas funções: ajudar a trabalhar e a manter relacionamentos. As práticas pedagógicas terão de ser inovadoras.
Deseja-se um sistema educacional que enfatize a aquisição de habilidades, de competências e de qualidades. A escola concebida como um espaço de experimentações, ligada ao mundo exterior, aberta à inovação. Ademais, uma escola vista e sentida como um lugar de formação e de desenvolvimento e a Educação como sinónimo de movimento que fomenta experiências centradas na ação, vivências e encontros.

O aluno deve, também, desenvolver competências como a criatividade, a responsabilidade, o espírito crítico, a comunicação, a colaboração e qualidades que provoquem a curiosidade, que fomentem o espírito de iniciativa, a persistência, a liderança e a consciência cultural e cívica.

Por sua vez, os professores devem ser mentores inovadores, promotores da aprendizagem e a prática uma pedagogia direcionada para o desenvolvimento de competências. Como referido, anteriormente, os atuais sistemas educativos são pouco flexíveis, estáticos e limitativos no que toca o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Para vencer este desafio, estes terão de ter a capacidade de se adaptar à mudança social, “ser proativos e capazes de utilizar todas as possibilidades concedidas pelas tecnologias de informação e comunicação”. RAMOS, C. (2007)


O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória 2017



A referência a um perfil do aluno tem como objetivo criar um quadro de referência que implique a liberdade, a responsabilidade, a valorização do trabalho, a consciência de si próprio, a inserção familiar e comunitária e a participação na sociedade circundante.
As mudanças económicas, sociais e culturais e outras exigem um equilíbrio entre o conhecimento, a compreensão, a criatividade e o sentido crítico. Trata-se de formar pessoas autónomas, responsáveis e cidadãos ativos.
Segundo Guilherme d’Oliveira Martins, “o perfil de base humanista significa a consideração de uma sociedade centrada na pessoa e na dignidade humana como valores fundamentais. Daí considerarmos as aprendizagens como centro do processo educativo, a inclusão como exigência, a contribuição para o desenvolvimento sustentável como desafio, já que temos de criar condições de adaptabilidade e de estabilidade, visando valorizar o saber. E a compreensão da realidade obriga a uma referência comum de rigor e atenção às diferenças.!”

“O Perfil dos Alunos aponta para uma educação escolar em que os alunos desta geração global constroem e sedimentam uma cultura científica e artística de base humanista. Para tal, mobilizam valores e competências que lhes permitem intervir na vida e na história dos indivíduos e das sociedades, tomar decisões livres e fundamentadas sobre questões naturais, sociais e éticas, e dispor de uma consagrou capacidade de participação cívica, ativa, consciente e responsável”. “O princípio fundamental dessa ação transformadora é a consideração do indivíduo em sua totalidade, possibilitando-lhe a liberdade de desenvolver a sua própria personalidade tanto no âmbito intelectual como no emocional”. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: São Paulo: Paz e Terra, 1997.

Pedagogias de colaboração: Que dificuldades …


O contexto de mudança na organização escolar que, hoje, se atravessa implica a necessidade de modificar profundamente as práticas de planificação na escola. Esta mudança no modo de regulação leva a que a escola se preocupe mais com as aprendizagens e com os resultados dos seus alunos e que, por isso, seja necessário encontrar “modos” de melhorar o funcionamento da organização escolar e estabelecer conexões entre os objetivos, estratégias e a avaliação, a fim de melhorar a prestação do serviço público de educação.
Em geral, atribui-se a uma cultura profissional a principal responsabilidade pelas dificuldades sentidas no desenvolvimento de uma cultura de colaboração nas escolas. Mas, não podemos esquecer que as estruturas nas escolas (os espaços, os horários, os tempos escolares, os agrupamentos dos professores) e as suas condições organizativas podem impedir a emergência de formas de colaboração.
O diálogo e uma boa relação entre todos os agentes educativos serão essenciais para criar uma dinâmica positiva na escola. Nesta perspetiva, poder-se-á desenvolver um trabalho colaborativo no seio da escola, embora os professores já trabalhem integrados em coletivos como a turma, os grupos disciplinares e os departamentos. No entanto, sendo o trabalho colaborativo um processo de trabalho planeado, em conjunto, pelos professores, visando atingir melhores resultados porque o trabalho resulta da interação de múltiplos saberes e dos processos cognitivos dos diversos intervenientes, esta cooperação entre os professores depara-se com diferentes obstáculos, de natureza cultural e simbólica e de natureza estrutural e organizacional. Além destes constrangimentos, no plano simbólico, surgem outros aspetos negativos no desenvolvimento desta prática de cooperação: a precariedade profissional e a promoção da competitividade na carreira constituem, igualmente, efeitos negativos.
A mudança das práticas de interação na escola implica substituir uma cultura predominantemente individualista dos professores que privilegia o espaço sala de aula, o saber ligado à área disciplinar e a relação com uma parte da população escolar, por uma cultura baseada na colaboração e no trabalho de equipa. Insistir em práticas individualistas apenas contribuirá para acantonar o professor no seu espaço celular. Além disso, os “tabus” relativamente à relação professor/aluno ainda não estão resolvidos. O ensino ainda está muito ligado ao conceito de autoridade. Nas experiências anteriores, o centro da atividade era o professor, com a proposta de ensino atual, o centro de interesse desloca-se para o aluno.
Para ultrapassar os efeitos negativos referidos será necessário proporcionar aos professores recursos, dar-lhes formação e motivá-los a explorar, de forma coletiva as margens de que dispõem ao nível do currículo, na definição de objetivos e de competências, na seleção de estratégias, na planificação de experiências de aprendizagem.
Para potenciar esta estratégia, deve ter-se em conta um princípio essencial, na elaboração do plano de formação: a articulação da formação com o plano estratégico da escola, isto é, com o seu Projeto Educativo. Desta forma, o Projeto Educativo de escola e o plano de formação devem estar estreitamente articulados. Implica um projeto motivador, perceber que tem muitos profissionais da rede estadual comprometidos com a busca de qualidade da educação pública.

Finalmente, reconheço que uma aprendizagem emancipatória, mais importante para autonomia, exige muito mais do que atitudes isoladas e/ou ações casuais. É preciso ter em conta o contexto em que se desenvolvem as ações educativas, os envolvidos nesse processo, maiores adesões conscientes na luta por uma educação para todos!


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A Educação no Século XXI


Na segunda metade do século XX, a perceção da escola e do ensino aprendizagem mudou. “O que se aprende, aprende-se fazendo”, através da ação. Pretende-se uma escola ativa, orientada para dar respostas.
No século XXI, o desafio da educação continua a ser o da aprendizagem de todos, uma aprendizagem inclusiva e diferenciada. A ideia de uma escola fechada, uma sala de aula, um professor face a uma turma não terá lugar na educação atual. A pedagogia de trabalhar para todos, da mesma maneira, é uma pedagogia obsoleta. De facto, ainda se fala da escola como espaços pouco motivadores para a aprendizagem. As matérias lecionadas, muitas delas, estáticas e sem movimento, pelo que nada dizem aos discentes. Por sua vez, a aprendizagem muito centrada nos conteúdos e focalizada no trabalho, desenvolvendo algumas capacidades em algumas áreas. 
Urge, pois, reinventar uma outra forma de organização da escola, uma outra forma de trabalhar dos professores e uma outra pedagogia. A imagem da escola fechada ao exterior deixará de existir para dar lugar a uma diversidade de espaços e de tempos, como refere António Nóvoa “A escola vai libertar-se da escola”, isto é, desse constrangimento físico para assumir outras dinâmicas porque temos novos alunos e, por isso os professores terão de aprender a criar diversidades no espaço, pôr em prática uma pedagogia diferenciada que atenda a diferentes realidades.
Mas, por outro lado, é inegável que a educação em Portugal tem vindo a melhorar do ponto de vista metodológico, pedagógico e na qualidade dos professores. Assistimos hoje a uma mudança significativa porque há uma nítida perceção da revolução digital que está em curso e que vai revolucionar, transformar o panorama das nossas escolas. O panorama digital vai acelerar esta realidade no modo como comunicam, como pensam como se relacionam com o conhecimento.
Mas serão os sistemas educativos suficientemente flexíveis para dar resposta a estas realidades?
Face ao novo panorama, é urgente repensar a conceção do Sistema Educativo, e caso não se concretize essa flexibilidade, não será o estudante que fracassa, mas o sistema. De facto, os sistemas educativos têm de dar resposta a diferentes solicitações, uma delas respeitar a diversidade dos indivíduos. Ora, a educação deve oferecer os meios e as ferramentas para que cada indivíduo possa definir o seu percurso e participar na evolução da sociedade. Nesta perspetiva, os sistemas educativos terão de se adaptar aos novos desafios do século XXI.
O desafio da educação é “o de tornar a diversidade num fator positivo de coesão e compreensão mútua” entre os vários agentes educativos. Esta tarefa parece-me difícil de cumprir, pela formalidade de alguns sistemas educativos e pela imposição de um modelo único que não tem em conta a diversidade individual nem o contexto, podendo limitar o desenvolvimento pessoal.
O sistema educativo terá de ser mais flexível, revelar capacidade de mudança e contemplar áreas mais abrangentes como a da formação integral e global do aluno.
Por sua vez, os professores devem ser mentores inovadores, promotores da aprendizagem e a prática de uma pedagogia direcionada para o desenvolvimento de competências. Como referido, os atuais sistemas educativos são pouco flexíveis, estáticos e limitativos no que toca o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Para vencer este desafio, estes terão de ter a capacidade de se adaptar à mudança social, “ser proativos e capazes de utilizar todas as possibilidades concedidas pelas tecnologias de informação e comunicação”. RAMOS, C. (2007)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Que pegagogias para o século XXI ?


As tecnologias de informação são fundamentais para a transmissão dos conteúdos, para o trabalho com os alunos e, nesse sentido, deverá atribuir-se uma maior importância às tecnologias digitais nas práticas pedagógicas. Trata-se de uma exigência do mundo moderno, pois a sociedade atual “impõe” que a educação prepare o aluno para enfrentar e ultrapassar as situações pessoais e profissionais com que se depara.

A escola, como já referido pelos colegas, tem de ser reinventada para que possa sobreviver e, nesse âmbito, o professor deve evidenciar/desenvolver saberes nesse domínio e utilizar as tecnologias digitais na sua prática pedagógica. Considero fundamental que os docentes concebam um referencial didático-pedagógico inovador porque as ferramentas digitais permitem à didática objetos e instrumentos capazes de renovar as situações de interação, expressão, criação, comunicação e colaboração, tornando a aula mais dinâmica, mais interessante e mais interativa para o aluno.

Relativamente às pedagogias: emancipatórias, de socialização de colaboração, de projetos, considero que não poderemos privilegiar uma pedagogia em detrimento de outras. Na minha perspetiva, todas se complementam, todas agem em conjunto e todas devem ser desenvolvidas, dependendo dos objetivos, dos conteúdos, das estratégias, dos contextos e dos alunos envolvidos.

Neste sentido, apraz-me uma pequena reflexão:

A minha apreciação vai ao encontro das ideias defendidas por FREIRE, P., quando afirma “Apresenta-se então um grande desafio, o de integrar tecnologia e criatividade, dois fatores que determinam em nosso tempo, o desenvolvimento adequado da educação”. Refere-se, ainda, que uma pedagogia emancipatória, impõe uma educação para a autonomia, uma formação consciente, durante toda a vida dos indivíduos, com professores reflexivos e fomentadores da capacidade crítica dos estudantes.  Também o discente deve ser participante ativo no processo de criar, planificar, executar, avaliar o seu conhecimento de forma investigativa.

Consequentemente, uma Educação de qualidade, promotora da cidadania, deve considerar o estudante como sujeito comprometido com o seu processo ensino/aprendizagem, sendo que  cabe à escola pública criar condições para que os conhecimentos favoreçam uma formação de qualidade, na perspetiva emancipatória dos sujeitos, capaz de promover a transformação da prática social.  

As pedagogias de projeto tornam-se, igualmente, um desafio para os professores, pois possibilitam socializar experiências, enriquecer as práticas pedagógicas e encorajar a um fazer diferente. Em suma, pretende -se transformar mentes, por meio da educação, investir, desenvolver competências nos estudantes para pensar, sentir e agir de modo coerente, comprometidos com a sua formação.

Reconheço que a ideia de um ensino crítico, criativo e comprometido com a mudança social tem vindo a crescer nos nossos contextos educativos. Porém, a criatividade (esta ideia de ensino) esbarra ainda com obstáculos, privilegiando-se, por isso a cognição.

Sabemos também que as transformações necessárias na sociedade não ocorrerão somente por meio da educação, mas, sem dúvida, a escola tem um papel fundamental pela sua função social.

EDUCAR ?


SER PROFESSOR ...

“A escola desempenha uma dupla função, que comporta contradições: Por um lado, ao formar os cidadãos do futuro, prepara a transformação da sociedade. Mas, por outro lado, está mais próxima de um determinado sistema produtivo, que se modifica lentamente e no qual devem poder inserir-se, a fim de encontrar emprego, os jovens que ela tem a seu cargo (…). in Uma Escola Diferente.
Nesta dupla função, destaco a responsabilidade do professor que assume o papel primordial de dinamizador de participação e de mobilização de todos os outros intervenientes, no sentido de os levar a darem o seu contributo, para que a escola possa realizar os seus objetivos.
De facto, a inovação educativa é um processo que exige a participação ativa dos agentes escolares, da comunidade a que pertencem e do sistema em que se inserem e o professor é a chave fundamental para a concretização da mudança.
Entendamos que se os professores forem convidados a participarem no processo de tomada de decisão, na inovação das estruturas existentes e na reflexão crítica, estamos a “ganhar” professores que contribuem para a mudança e, consequentemente a favorecer a criação de uma verdadeira cultura de colaboração, tão necessária nas nossas escolas.
Relativamente à cultura de colaboração, penso que merece algumas considerações. Andy Hargreaves identifica quatro formas “abrangentes” de culturas docentes: o individualismo, a colaboração, a colegialidade artificial e a balcanização, cada uma com implicações no trabalho do professor e na mudança educativa.
 A cultura do individualismo é reconhecida por A. Hargreaves como a atitude mais comum nas escolas. O professor opta por uma atitude de isolamento mas “o individualismo é encarado como consequência de condições e constrangimentos organizacionais complexos, e são estes que devemos ter em conta se o quisermos remover”. Hargreaves, Andy (1998:192)
Na cultura da colaboração, a abertura e a partilha na resolução de problemas ocupam uma posição central na tomada de decisões coletivas, sendo que a crítica deverá estar sempre presente. Os professores aprendem se partilharem, se identificarem preocupações comuns e se trabalharem, conjuntamente, na resolução de problemas. A colaboração e a colegialidade encaram a melhoria do ensino como um processo mais coletivo do que individual.
Na colegialidade artificial, as relações profissionais de colaboração entre os professores são forçadas e, muitas vezes, impostas administrativamente. Neste tipo de cultura, as relações de colaboração entre os professores não são voluntárias, não são orientadas para o desenvolvimento, nem alargadas no tempo e no espaço. Pelo contrário, estas são impostas administrativamente, exigindo aos professores que se encontrem e trabalhem em conjunto. “…esta cultura caracteriza-se por um conjunto de procedimentos formais e burocráticos específicos, destinados a aumentar a atenção dada à planificação em grupo e à consulta entre colegas, bem como outras formas de trabalho em conjunto”. Fullan e Hargreaves (2001:103)
A cultura balcanizada caracteriza-se por interações entre os professores que “trabalham não em isolamento, nem com a maior parte dos seus colegas, mas antes em subgrupos mais pequenos, no seio da comunidade escolar, tais como os departamentos disciplinares (…)” (Hargreaves, 1998:240).
Ora, parece-me que para fazer face a um ambiente externo, em constante mutação, incerto e imprevisível, as escolas carecem de uma mudança de paradigma organizacional, em que a escola tenderá a dar lugar a uma escola de equipas. E, nesse sentido, os professores devem ser mentores inovadores, promotores da aprendizagem. Refletir conjuntamente, partilhar saberes, perspetivas e experiências, trabalho colaborativo, eis os ingredientes que poderão apetrechar, os agentes educativos de novas ferramentas que permitirão rearquitetar estratégias, reformular caminhos, e adotar metodologias de trabalho eficazes no desenvolvimento de capacidades.

Permito-me finalizar a minha reflexão com duas citações:

“A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação”.  Mandela, Nelson

“Professores brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a vida”.
Cury, Augusto

“A criatividade é um tipo de processo de aprendizagem em que o professor e o aluno se encontram no mesmo indivíduo” Koestler, Arthur