Na segunda metade do século XX, a perceção
da escola e do ensino aprendizagem mudou. “O que se aprende, aprende-se
fazendo”, através da ação. Pretende-se uma escola ativa, orientada para dar
respostas.
No século XXI, o desafio da educação
continua a ser o da aprendizagem de todos, uma aprendizagem inclusiva e diferenciada.
A ideia de uma escola fechada, uma sala de aula, um professor face a uma turma não
terá lugar na educação atual. A pedagogia de trabalhar para todos, da mesma
maneira, é uma pedagogia obsoleta. De facto, ainda se fala da escola como
espaços pouco motivadores para a aprendizagem. As matérias lecionadas, muitas
delas, estáticas e sem movimento, pelo que nada dizem aos discentes. Por sua
vez, a aprendizagem muito centrada nos conteúdos e focalizada no trabalho,
desenvolvendo algumas capacidades em algumas áreas.
Urge, pois, reinventar uma outra forma de
organização da escola, uma outra forma de trabalhar dos professores e uma outra
pedagogia. A imagem da escola fechada ao exterior deixará de existir para dar
lugar a uma diversidade de espaços e de tempos, como refere António Nóvoa “A
escola vai libertar-se da escola”, isto é, desse constrangimento físico para
assumir outras dinâmicas porque temos novos alunos e, por isso os professores
terão de aprender a criar diversidades no espaço, pôr em prática uma pedagogia
diferenciada que atenda a diferentes realidades.
Mas, por outro lado, é inegável que a
educação em Portugal tem vindo a melhorar do ponto de vista metodológico, pedagógico
e na qualidade dos professores. Assistimos hoje a uma mudança significativa
porque há uma nítida perceção da revolução digital que está em curso e que vai revolucionar,
transformar o panorama das nossas escolas. O panorama digital vai acelerar esta
realidade no modo como comunicam, como pensam como se relacionam com o
conhecimento.
Mas
serão os sistemas educativos suficientemente flexíveis para dar resposta a
estas realidades?
Face ao novo panorama, é urgente repensar
a conceção do Sistema Educativo, e caso não se concretize essa flexibilidade, não
será o estudante que fracassa, mas o sistema. De facto, os sistemas educativos
têm de dar resposta a diferentes solicitações, uma delas respeitar a
diversidade dos indivíduos. Ora, a educação deve oferecer os meios e as
ferramentas para que cada indivíduo possa definir o seu percurso e participar
na evolução da sociedade. Nesta perspetiva, os sistemas educativos terão de se adaptar aos novos desafios do século
XXI.
O desafio da
educação é “o de tornar a diversidade num fator positivo de coesão e
compreensão mútua” entre os vários agentes educativos. Esta tarefa parece-me
difícil de cumprir, pela formalidade de alguns sistemas educativos e pela
imposição de um modelo único que não tem em conta a diversidade individual nem
o contexto, podendo limitar o desenvolvimento pessoal.
O sistema
educativo terá de ser mais flexível, revelar capacidade de mudança e contemplar
áreas mais abrangentes como a da formação integral e global do aluno.
Por sua
vez, os professores devem ser mentores inovadores, promotores da aprendizagem e
a prática de uma pedagogia direcionada para o desenvolvimento de competências. Como
referido, os atuais sistemas educativos são pouco flexíveis, estáticos e
limitativos no que toca o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo. Para vencer
este desafio, estes terão de ter a capacidade de se adaptar à mudança social, “ser
proativos e capazes de utilizar todas as possibilidades concedidas pelas
tecnologias de informação e comunicação”. RAMOS, C. (2007)
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