sábado, 4 de novembro de 2017

Pedagogias de colaboração: Que dificuldades …


O contexto de mudança na organização escolar que, hoje, se atravessa implica a necessidade de modificar profundamente as práticas de planificação na escola. Esta mudança no modo de regulação leva a que a escola se preocupe mais com as aprendizagens e com os resultados dos seus alunos e que, por isso, seja necessário encontrar “modos” de melhorar o funcionamento da organização escolar e estabelecer conexões entre os objetivos, estratégias e a avaliação, a fim de melhorar a prestação do serviço público de educação.
Em geral, atribui-se a uma cultura profissional a principal responsabilidade pelas dificuldades sentidas no desenvolvimento de uma cultura de colaboração nas escolas. Mas, não podemos esquecer que as estruturas nas escolas (os espaços, os horários, os tempos escolares, os agrupamentos dos professores) e as suas condições organizativas podem impedir a emergência de formas de colaboração.
O diálogo e uma boa relação entre todos os agentes educativos serão essenciais para criar uma dinâmica positiva na escola. Nesta perspetiva, poder-se-á desenvolver um trabalho colaborativo no seio da escola, embora os professores já trabalhem integrados em coletivos como a turma, os grupos disciplinares e os departamentos. No entanto, sendo o trabalho colaborativo um processo de trabalho planeado, em conjunto, pelos professores, visando atingir melhores resultados porque o trabalho resulta da interação de múltiplos saberes e dos processos cognitivos dos diversos intervenientes, esta cooperação entre os professores depara-se com diferentes obstáculos, de natureza cultural e simbólica e de natureza estrutural e organizacional. Além destes constrangimentos, no plano simbólico, surgem outros aspetos negativos no desenvolvimento desta prática de cooperação: a precariedade profissional e a promoção da competitividade na carreira constituem, igualmente, efeitos negativos.
A mudança das práticas de interação na escola implica substituir uma cultura predominantemente individualista dos professores que privilegia o espaço sala de aula, o saber ligado à área disciplinar e a relação com uma parte da população escolar, por uma cultura baseada na colaboração e no trabalho de equipa. Insistir em práticas individualistas apenas contribuirá para acantonar o professor no seu espaço celular. Além disso, os “tabus” relativamente à relação professor/aluno ainda não estão resolvidos. O ensino ainda está muito ligado ao conceito de autoridade. Nas experiências anteriores, o centro da atividade era o professor, com a proposta de ensino atual, o centro de interesse desloca-se para o aluno.
Para ultrapassar os efeitos negativos referidos será necessário proporcionar aos professores recursos, dar-lhes formação e motivá-los a explorar, de forma coletiva as margens de que dispõem ao nível do currículo, na definição de objetivos e de competências, na seleção de estratégias, na planificação de experiências de aprendizagem.
Para potenciar esta estratégia, deve ter-se em conta um princípio essencial, na elaboração do plano de formação: a articulação da formação com o plano estratégico da escola, isto é, com o seu Projeto Educativo. Desta forma, o Projeto Educativo de escola e o plano de formação devem estar estreitamente articulados. Implica um projeto motivador, perceber que tem muitos profissionais da rede estadual comprometidos com a busca de qualidade da educação pública.

Finalmente, reconheço que uma aprendizagem emancipatória, mais importante para autonomia, exige muito mais do que atitudes isoladas e/ou ações casuais. É preciso ter em conta o contexto em que se desenvolvem as ações educativas, os envolvidos nesse processo, maiores adesões conscientes na luta por uma educação para todos!


Sem comentários:

Enviar um comentário