O
contexto de mudança na organização escolar que, hoje, se atravessa implica a
necessidade de modificar profundamente as práticas de planificação na escola.
Esta mudança no modo de regulação leva a que a escola se preocupe mais com as
aprendizagens e com os resultados dos seus alunos e que, por isso, seja
necessário encontrar “modos” de melhorar o funcionamento da organização escolar
e estabelecer conexões entre os objetivos, estratégias e a avaliação, a fim de
melhorar a prestação do serviço público de educação.
Em
geral, atribui-se a uma cultura profissional a principal responsabilidade pelas
dificuldades sentidas no desenvolvimento de uma cultura de colaboração nas
escolas. Mas, não podemos esquecer que as estruturas nas escolas (os espaços,
os horários, os tempos escolares, os agrupamentos dos professores) e as suas
condições organizativas podem impedir a emergência de formas de colaboração.
O
diálogo e uma boa relação entre todos os agentes educativos serão essenciais para
criar uma dinâmica positiva na escola. Nesta perspetiva, poder-se-á desenvolver
um trabalho colaborativo no seio da escola, embora os professores já trabalhem
integrados em coletivos como a turma, os grupos disciplinares e os
departamentos. No entanto, sendo o trabalho colaborativo um processo de
trabalho planeado, em conjunto, pelos professores, visando atingir melhores
resultados porque o trabalho resulta da interação de múltiplos saberes e dos
processos cognitivos dos diversos intervenientes, esta cooperação entre os
professores depara-se com diferentes obstáculos, de natureza cultural e
simbólica e de natureza estrutural e organizacional. Além destes
constrangimentos, no plano simbólico, surgem outros aspetos negativos no
desenvolvimento desta prática de cooperação: a precariedade profissional e a
promoção da competitividade na carreira constituem, igualmente, efeitos
negativos.
A mudança das práticas de interação na
escola implica substituir uma cultura predominantemente individualista dos
professores que privilegia o espaço sala de aula, o saber ligado à área
disciplinar e a relação com uma parte da população escolar, por uma cultura
baseada na colaboração e no trabalho de equipa. Insistir em práticas individualistas
apenas contribuirá para acantonar o professor no seu espaço celular. Além
disso, os “tabus” relativamente à relação professor/aluno ainda não estão
resolvidos. O ensino ainda está muito ligado ao conceito de autoridade. Nas experiências
anteriores, o centro da atividade era o professor, com a proposta de ensino
atual, o centro de interesse desloca-se para o aluno.
Para
ultrapassar os efeitos negativos referidos será necessário proporcionar aos
professores recursos, dar-lhes formação e motivá-los a explorar, de forma
coletiva as margens de que dispõem ao nível do currículo, na definição de
objetivos e de competências, na seleção de estratégias, na planificação de
experiências de aprendizagem.
Para
potenciar esta estratégia, deve ter-se em conta um princípio essencial, na
elaboração do plano de formação: a articulação da formação com o plano
estratégico da escola, isto é, com o seu Projeto Educativo. Desta forma, o
Projeto Educativo de escola e o plano de formação devem estar estreitamente
articulados. Implica um projeto motivador, perceber que
tem muitos profissionais da rede estadual comprometidos com a busca de
qualidade da educação pública.
Finalmente, reconheço que uma aprendizagem
emancipatória, mais importante para autonomia, exige muito mais do que atitudes
isoladas e/ou ações casuais. É preciso ter em conta o contexto em que se
desenvolvem as ações educativas, os envolvidos nesse processo, maiores adesões
conscientes na luta por uma educação para todos!
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