“A escola desempenha uma dupla função, que
comporta contradições: Por um lado, ao formar os cidadãos do futuro, prepara a
transformação da sociedade. Mas, por outro lado, está mais próxima de um
determinado sistema produtivo, que se modifica lentamente e no qual devem poder
inserir-se, a fim de encontrar emprego, os jovens que ela tem a seu cargo (…). in
Uma Escola Diferente.
Nesta dupla função, destaco a
responsabilidade do professor que assume o papel primordial de dinamizador de
participação e de mobilização de todos os outros intervenientes, no sentido de
os levar a darem o seu contributo, para que a escola possa realizar os seus
objetivos.
De facto, a inovação educativa é um
processo que exige a participação ativa dos agentes escolares, da comunidade a
que pertencem e do sistema em que se inserem e o professor é a chave fundamental
para a concretização da mudança.
Entendamos que se os professores forem
convidados a participarem no processo de tomada de decisão, na inovação das
estruturas existentes e na reflexão crítica, estamos a “ganhar” professores que
contribuem para a mudança e, consequentemente a favorecer a criação de uma verdadeira
cultura de colaboração, tão necessária nas nossas escolas.
Relativamente à cultura de colaboração,
penso que merece algumas considerações. Andy Hargreaves identifica quatro
formas “abrangentes” de culturas docentes: o
individualismo, a colaboração, a colegialidade artificial e a balcanização,
cada uma com implicações no trabalho do professor e na mudança educativa.
A
cultura do individualismo é reconhecida por A. Hargreaves como a atitude mais
comum nas escolas. O professor opta por uma atitude de isolamento mas “o
individualismo é encarado como consequência de condições e constrangimentos
organizacionais complexos, e são estes que devemos ter em conta se o quisermos
remover”. Hargreaves, Andy (1998:192)
Na cultura da colaboração, a abertura e a
partilha na resolução de problemas ocupam uma posição central na tomada de
decisões coletivas, sendo que a crítica deverá estar sempre presente. Os
professores aprendem se partilharem, se identificarem preocupações comuns e se
trabalharem, conjuntamente, na resolução de problemas. A colaboração e a
colegialidade encaram a melhoria do ensino como um processo mais coletivo do
que individual.
Na colegialidade artificial, as relações
profissionais de colaboração entre os professores são forçadas e, muitas vezes,
impostas administrativamente. Neste tipo de cultura, as relações de colaboração
entre os professores não são voluntárias, não são orientadas para o
desenvolvimento, nem alargadas no tempo e no espaço. Pelo contrário, estas são impostas
administrativamente, exigindo aos professores que se encontrem e trabalhem em
conjunto. “…esta cultura caracteriza-se por um conjunto de procedimentos
formais e burocráticos específicos, destinados a aumentar a atenção dada à
planificação em grupo e à consulta entre colegas, bem como outras formas de
trabalho em conjunto”. Fullan e Hargreaves (2001:103)
A cultura balcanizada caracteriza-se por interações
entre os professores que “trabalham não em isolamento, nem com a maior parte
dos seus colegas, mas antes em subgrupos mais pequenos, no seio da comunidade
escolar, tais como os departamentos disciplinares (…)” (Hargreaves, 1998:240).
Ora, parece-me que para fazer face a um
ambiente externo, em constante mutação, incerto e imprevisível, as escolas carecem
de uma mudança de paradigma organizacional, em que a escola tenderá a dar lugar
a uma escola de equipas. E, nesse sentido, os professores devem ser mentores inovadores, promotores da aprendizagem.
Refletir conjuntamente, partilhar saberes, perspetivas e experiências, trabalho
colaborativo, eis os ingredientes que poderão apetrechar, os agentes educativos
de novas ferramentas que permitirão rearquitetar estratégias, reformular
caminhos, e adotar metodologias de trabalho eficazes no desenvolvimento de capacidades.
Permito-me finalizar a minha reflexão com duas
citações:
“A educação é o grande motor do desenvolvimento
pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho
de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais
pode chegar a presidente de uma grande nação”. Mandela, Nelson
“Professores
brilhantes ensinam para uma profissão. Professores fascinantes ensinam para a
vida”.
Cury, Augusto
“A criatividade é um tipo de processo de aprendizagem
em que o professor e o aluno se encontram no mesmo indivíduo” Koestler, Arthur

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